terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os Poderes de Cura pela Música

"Quando se ouve boa música fica-se com saudade de algo 
que nunca se teve e nunca se terá."
Samuel Howe

Sabemos que a nossa medicina oficial ainda considera o corpo humano como 
uma máquina, centrando as pesquisas e a terapêutica nas substâncias 
químicas e nas intervenções cirúrgicas. Como fazer intervenções no Universo 
das doenças psicossomáticas? Saúde depende da interação entre corpo / 
mente / meio ambiente... Precisamos parar de combater apenas o sintoma. 
A música, através do ritmo, da melodia, e da harmonia, 
ou por tudo junto, 
pode realizar verdadeiros milagres na preservação e recuperação do equilíbrio 
mental e rearmonização do sistema nervoso endócrino. 
As vibrações sonoras que repercutem em nossa mente, em nossos nervos, 
podem tanto fazer o bem quanto mal para nosso organismo. Podem irritar, 
fatigar, entediar e até desequilibrar nosso ser. 
Cabe a cada um, tirar da música 
aquilo que lhe fizer bem e que estiver precisando. 
Conscientes ou não, a música tem o poder de tocar ao mesmo tempo o nosso 
corpo, mente e alma. 
A percepção musical se inicia com a entrada do som  em nossos ouvidos e 
depois se espalha em várias áreas do nosso cérebro e de nosso corpo através 
de nossas reações emocionais e fisiológicas. Seu poder de influência vai 
diretamente à emoção, ao tálamo, ou seja, não passa primeiro pela análise do pensamento racional. 
Por volta de 324 a.C., Alexandre, o Grande, usava o som da lira para restaurar 
a sanidade mental; durante o reinado de Elizabeth I, 
o físico Thomas Campian, 
utilizava-se composições líricas e vocais para curar depressão; Farinelli – 
cantor de ópera do século XVIII curou o rei espanhol Filipe V de uma doença 
crônica repetindo sua área favorita, a lista de casos parecidos como estes na 
história é enorme. 
A ideia de que a música possui valor terapêutico é antiga. 
Estima-se que pode ter origem há mais de 30 mil anos, 
quando a doença  era considerada um mistério, 
obra de espíritos maldosos que deveriam ser expulsos da mente do 
doente e para isso praticava-se o canto por horas a fio. 

 Na Grécia, Pitágoras já utilizava dessa ferramenta para ajudar no alívio de 
preocupações, medos e raiva. Platão disse que 
“a música tem o poder de tocar 
o mais profundo de nossa alma e dá asas à imaginação”. 
Cientistas finlandeses descobriram que a música estimula 
e acelera o processo de recuperação pessoas com áreas cerebrais 
danificadas por derrame cerebral 
e ainda, ajuda a prevenir a depressão. 
A percepção de que os sons e a música são capazes de agir sobre o 
organismo humano leva em conta a natureza vibratória do corpo; o corpo é 
matéria e a matéria ressoa ante os sons. Ainda, temos o fato de o corpo ser 
constituído de 70% de água, e, água é um ótimo condutor de som, 
portanto, o som pode ressoar em todas as células. 



José Hermógenes, em seu livro Yoga para Nervosos (2001), 
explica que cada 
instrumento causa um efeito específico no ser humano, alguns exemplos de benefícios que podem trazer: 

- solos de violino para os melancólicos, 
- solos de contrabaixo ou clarineta para os nervosos, 
- harpa para casos de histeria, 
- trompa para maníacos de perseguição, 
- flauta para apaixonados incorrespondidos, 
- violoncelo para os excitados, 
- contrabaixo para os neurastênicos, 
- piano para a extravasão psíquica. 





Ele ensina que os estilos de música também atuam de modo específico, são 
exaltadas as músicas clássica, romântica, impressionista. A música 
contemporânea é, muitas vezes, criticada, mas consegue sacudir o 
esquisofrênico de seu autismo, de seu isolamento, fazendo-o sair de 
dentro de si. 
Concordamos com Hermógenes (2001) quando afirma que o valor terapêutico 
da música pode ser usufruído: 
- compondo-a, 
- executando-a, 
- cantando-a, 
- ouvindo-a. 
O que importa é o efeito que se sente, o bem estar na alma. As vibrações da 
música influenciam o mundo interior do ser humano e até o tom vibratório de 
suas células. 
A busca científica pela cura por meio do som e da música vem crescendo de 
forma animadora, novas técnicas estão sendo pesquisadas 
no campo da medicina e da psicologia. 
Na medicina moderna, por exemplo, 
um feixe de som vibrante pode explodir pedras nos rins. 
A música exerce efeito direto sobre a pulsação e a  pressão sanguínea que 
sobem ou caem de acordo com o ritmo. 
Ela também interfere nas glândulas de secreção interna e, 
por conseguinte, nas emoções.  
A música cria uma complexa rede projetiva, estimula áreas problemáticas de 
nosso psiquismo e fornece uma resolução criativa dos conflitos inconscientes. 
Nesses momentos, ocorre a suspensão do controle exercido pelo ego. 
vontade consciente atua no sentido de permitir que o processo 
ocorra e não no sentido de manipular a experiência, 
as imagens emergem espontaneamente e nos conectam com 
conteúdos mais profundos da nossa  psique. 
Com isso, a música torna-se um acontecimento psicofísico, 
processa nossas emoções e atinge o físico através das vibrações 
que chegam através da pele, ossos, vísceras e ouvidos. 


Carol A. Bush (1995) relata os efeitos neurológicos da música: 
1. A música vai do ouvido ao centro do cérebro e do sistema límbico, que 
governa as respostas emocionais da dor e do prazer, bem como os processos 
involuntários, como temperatura do corpo e pressão sanguínea. 
2. A música provavelmente ativa um fluxo de memória armazenada através do 
corpus collosum. Como consequência, a evocação de memórias associativas é 
intensificada pela música. 
3. A música pode excitar os peptídeos, agentes que  liberam no cérebro as 
endorfinas, as quais produzem um “pico” natural e servem também como um 
inibidor natural da experiência de dor. 
Dessa forma, a música promove a sincronização entre sentimentos, imagens, 
respiração e pulsação, ainda, alguns tipos de músicas estimulam estados  
alterados de consciência e ativam a capacidade do lado direito do cérebro de 
resolver problemas. 

Estamos diante de vários movimentos em prol da interdisciplinaridade, 
esperamos que a medicina leve em consideração a retomada que a Psicologia
Transpessoal faz das tradições milenares e a importância das interações entre 
som e fenômeno humano no processo de cura. 








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